segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

OUTRO LUGAR





Noutro lugar deixou-se ficar nua

e deu o seu corpo ao lobo mais faminto da cidade.



Noutro lugar abriu a casa ao inimigo

e disse-lhe toma tudo quanto queiras.



Noutro lugar dançou com tanta água

que se lhe humedeceram as entranhas

e apodreceu por dentro.



Noutro lugar veio tanta gente vê-la

que o aplauso se transformou em tempestade de Verão

e a cabeça estalou-lhe de tanta névoa e tantos caracóis

e tanto Agosto e tanto fogo.



Noutro lugar rendeu-se

deixou-se levar pelo instinto noutro lugar

e deitou-se para sobreviver aos seus pés

e lamber as feridas do caminho…

e viveu noutro lugar a vida de rastos.



Noutro lugar,

não neste.





Por Almudena Vidorreta Torres, trad. LP (do trapézio, sem rede)

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