Mostrar mensagens com a etiqueta poesia russa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poesia russa. Mostrar todas as mensagens

sábado, 15 de outubro de 2011











Há na intimidade um limiar sagrado





Há na intimidade um limiar sagrado,
encantamento e paixão não o podem transpor -
mesmo que no silêncio assustador se fundam
os lábios e o coração se rasgue de amor.

Onde a amizade nada pode nem os anos
da felicidade mais sublime e ardente,
onde a alma é livre, e se torna estranha
à vagarosa volúpia e seu langor lento.

Quem corre para o limiar é louco, e quem
o alcançar é ferido de aflição...
Agora compreendes porque já não bate
sob a tua mão em concha o meu coração.





Por Anna Akhmátova
tradução por Nina Guerra e Filipe Guerra

sábado, 1 de outubro de 2011












E o meu coração já não bate

na minha voz, de alegria e tristeza.

Acabou... E o meu canto galopa

para a noite vazia, onde tu já não estás.








Por Anna Akhmátova
Tradução de Manuel de Seabra

domingo, 24 de janeiro de 2010

Ainda não morreste, inda não estás sozinho:

A companheirinha-mendiga

No vale magnânimo e com a bruma, o frio,

A tempestade - está contigo.



Na pobreza opulenta, miséria poderosa,

Vive tranquilo e consolado.

Benditas são as noites e os dias, e o labor

Do belo-verbo é sem pecado.



Desgraçado é quem de si mesmo é a sombra,

A quem assusta o ladrido,

O vento ceifa. É pobre quem pede esmola à sombra

Meio morto e ferido.





Por Ossip Mandelstam, trad. Nina Guerra e Filipe Guerra