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quinta-feira, 2 de setembro de 2010



O SONHO DO POEMA






Dorme cedo o poema

no corpo do poeta



por duas razões que não aceitam disputa:

ou porque o poema se abstém do sonho

ou porque o guerreiro

decidiu descansar!

Entre duas mãos sonhadoras apenas - o poema dorme de pé!






Por Boujema el Aoufi
Tradução de André Simões

terça-feira, 31 de agosto de 2010



A DOR NEGRA






o negro é o espirrar do sangue de cada dia

o negro é também a cor peculiar das máquinas de ferir

e a dor é um gozo negro



o negro é a mancha queimada de óleo humano sobre
a terra

é o óxido de cansaço espesso nos olhos dos gatos

e a dor é o miado cortado na escuridão



na corrente de fogo

na cinza dos dedos velhos no asfalto

na cabeça cortada da criança no caminho



a dor negra

também é todo este fumo

enquanto a parede respira com pulmões de ferro






Por Ahmed Barakat
Tradução de André Simões