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quarta-feira, 21 de abril de 2010



FUGIDIO





Vem em favos,

de suspense verde dura um átimo.

Num cicio silencioso

- solta-

se do ca-

cho –



Desliza maduro em meu rosto

o seu afago.





Por Fernanda Marra
(Ler mais poesia sua em http://mareseressacas.blogspot.com/ )

sábado, 27 de março de 2010



DA ORDEM INESPERADA


Nunca houve isso,
uma página em branco.
No fundo, todas gritam,
pálidas de tanto.


Paulo Leminski






Dias diversos:

roupa seca no varal

vestindo fantoches sem corpos,

café esfriando na xícara

e dedo nenhum de prosa.



Dias inversos:

no varal não sobra linha,

a roupa mal torcida

escorre a tinta a mancha a nódoa.

Redunda a saliva e também pinga,

onde o sol não, desbota.



Clara de cegar os olhos

a porcelana suja da xícara

espreita pálida a página inaudita

e inaugura invisível

polifonia afinada de vozes.





Por Fernanda Marra
(Mais poesia sua em http://www.mareseressacas.blogspot.com/)
Imagem de AAT

sábado, 13 de março de 2010



DIAGNÓSTICO





Rinite Alérgica.



Sintomas:

respiração de gente no fundo do mar sem escafandro;

dor de badaladas nas têmporas,

nos olhos

na testa

e em cima das bochechas;

ressecamento da goela por desvio de função;

aprofundamento e alargamento das olheiras;

aspecto de gente muito bem mais doente;

humor de cão.



Causa provável: ambiente e material de trabalho.



Obs: Quando me lembro de Drummond, sinto que posso folhear processos no ar condicionado para o resto da minha looonga e congestionada vida!





Por Fernanda Marra
(Ver mais poesia sua em http://mareseressacas.blogspot.com/)

segunda-feira, 1 de março de 2010



A NOVIDADE É A MORTE



na palavra, nada daquilo, lápide de paixão.

no papel, epitáfios, fendas para novidade.



Eugênia Fraietta





Quando a palavra esgarçou

os músculos entre nós.

Quando a hérnia ameaça romper

os últimos fios do tecido.

Quando traça esburacou

a delicadeza da trama,

Quando o verbo

inocula a doença,

escurece por dentro,

empalidece por fora

e só inaugura a hemorragia.

A novidade é a morte

isso, também, o que a palavra cria.






Por Fernanda Marra
Imagem de AAT