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domingo, 14 de outubro de 2012


















UMA SAISON NOS INFERNOS









Tudo é breve: um deus,

o plâncton, o ferro.



O meu poema é uma miséria

comparado com o teu nome

no edital.



A voragem dos grandes estúdios,

a saída dos operários da fábrica,

a grande depressão

dos trinta anos:



Eu bebo

porque se não beber

não conduzo

este corpo a casa.







Por Daniel Jonas

sábado, 27 de agosto de 2011















GROTTO









Não quero nada claro ou helénico.

Prefiro turbinas de aviões comerciais, a sua fuligem

doméstica

às velas de alabastro do veleiro de Ulisses

lá em mar alto.

Prefiro o eclipse a Calipso.

Não quero nada de verdadeiramente branco.

Dispenso a asa delta de garças,

o seu voo aerodinâmico,

troco-o pela arribação de ratos no esgoto,

a sua pressa chinesa,

o seu stress pós-traumático:

orgulham-me criaturas tão limpas.

Assim também recuso o papel branco:

trato de o desfigurar

com sangue negro, como se desfigura

um branco em Harlem.

Não quero começar a imaginar como se sentiriam

escravos nos campos de algodão.










Por Daniel Jonas

Arte por Lefevre Jules Joseph