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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Paulo Leminski






um poema
que não se entende
é digno de nota

a dignidade suprema
de um navio
perdendo a rota



Arte de Turner

http://meianoitetododia.blogspot.pt/

sexta-feira, 12 de julho de 2013










pelos caminhos que ando
um dia vai ser
só não sei quando





Por Paulo Leminski

quarta-feira, 7 de novembro de 2012








UM BOM POEMA




um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto



Por Paulo Leminski

sábado, 28 de abril de 2012










QUANDO EU TIVER SETENTA ANOS






quando eu tiver setenta anos
então vai acabar esta adolescência

vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência

vou fazer o que meu pai quer
começar a vida com passo perfeito

vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito

então ver tudo em sã consciência
quando acabar esta adolescência.





Por Paulo Leminski

domingo, 7 de agosto de 2011

















pariso

novayorquizo

moscoviteio

sem sair do bar




só não levanto e vou embora

porque tem países

que eu nem chego a madagascar









Por Paulo Leminski

sábado, 16 de julho de 2011
















A LUA NO CINEMA







A lua foi ao cinema,

passava um filme engraçado,

a história de uma estrela

que não tinha namorado.




Não tinha porque era apenas

uma estrela bem pequena,

dessas que, quando apagam,

ninguém vai dizer, que pena!




Era uma estrela sozinha,

ninguém olhava pra ela,

e toda a luz que ela tinha

cabia numa janela.




A lua ficou tão triste

com aquela história de amor

que até hoje a lua insiste:

— Amanheça, por favor!








Por Paulo Leminski


sábado, 18 de junho de 2011





















BEM NO FUNDO









No fundo, no fundo,

bem lá no fundo,

a gente gostaria

de ver nossos problemas

resolvidos por decreto



a partir desta data,

aquela mágoa sem remédio

é considerada nula

e sobre ela — silêncio perpétuo



extinto por lei todo o remorso,

maldito seja quem olhar pra trás,

lá pra trás não há nada,

e nada mais



mas problemas não se resolvem,

problemas têm família grande,

e aos domingos saem todos a passear

o problema, sua senhora

e outros pequenos probleminhas.


 


Por Paulo Leminski

sábado, 11 de dezembro de 2010

ver apresentação

BLADE RUNNER WALTZ






Em mil novecentos e oitenta e sempre,

ah, que tempos aqueles,

dançamos ao luar, ao som da valsa

A Perfeição do Amor Através da Dor e da Renúncia,

nome, confesso, um pouco longo,

mas os tempos, aquele tempo,

ah, não se faz mais tempo

como antigamente

Aquilo sim é que eram horas,

dias enormes, semanas anos, minutos milênios,

e toda aquela fortuna em tempo

a gente gastava em bobagens,

amar, sonhar, dançar ao som da valsa,

aquelas falsas valsas de tão imenso nome lento

que a gente dançava em algum setembro

daqueles mil novecentos e oitenta e sempre.






Por Paulo Leminski
Excerto de "Blade Runner" de Ridley Scott

segunda-feira, 1 de março de 2010



não sei ao certo

se sou um menino de dúvidas

ou um homem de fé



certezas o vento leva

só dúvidas ficam de pé





Por Paulo Leminski
Quadro de Salvador Dalí