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quarta-feira, 2 de abril de 2014







[Morro do que há no mundo]





Morro do que há no mundo:
do que vi, do que ouvi.
Morro do que vivi.
Morro comigo, apenas:
com lembranças amadas,
porém desesperadas.
Morro cheia de assombro
por não sentir em mim
nem princípio nem fim.
Morro: e a circunferência
fica, em redor, fechada.
Dentro sou tudo e nada.


por Cecília Meireles

domingo, 5 de dezembro de 2010



RETRATO






Eu não tinha este rosto de hoje,

assim calmo, assim triste, assim magro,

nem estes olhos tão vazios,

nem o lábio amargo.



Eu não tinha estas mãos sem força,

tão paradas e frias e mortas;

eu não tinha este coração

que nem se mostra.



Eu não dei por esta mudança

tão simples, tão certa, tão fácil:

- Em que espelho ficou perdida

a minha face?






Por Cecília Meireles
Arte por Apard Szènes