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sexta-feira, 27 de junho de 2014

e.e. cummings







já que sentir é primeiro
quem presta alguma atenção
à sintaxe das coisas
nunca há-de beijar-te por inteiro;

por isso ensandecer
enquanto a Primavera está no mundo
o meu sangue aprova,
e beijos são melhor fado
que sabedoria
senhora eu juro por toda a flor. Não chores
— o melhor movimento do meu cérebro vale menos que
o teu palpitar de pálpebras que diz

somos um para o outro: então
ri, reclinada nos meus braços
que a vida não é um parágrafo


E a morte julgo nenhum parêntesis


http://meianoitetododia.blogspot.pt/

domingo, 18 de abril de 2010



algures aonde eu nunca viajei,alegremente além de

qualquer experiência,osteus olhos têm o seu silêncio:

no teu gesto mais frouxo há coisas que me prendem,

ou que eu não posso tocar de tão próximas que estão



o teu mínimo olhar há-de facilmente desprender-me

embora eu me tenha cerrado como dedos,

tu sempre me abres pétala a pétala como abre a Primavera

(tocando hábil,misteriosamente)a primeira rosa



mas se teu desejo for encerrar-me,eu e

minha vida fecharemos em beleza,de repente,

como quando o coração desta flor imagina

a neve em tudo cuidadosa descendo;



nada do que existe para ser sentido neste mundo iguala

o poder da tua extrema fragilidade:cuja textura

me submete com a cor dos seus domínios,

representando a morte e para sempre em cada alento



(eu não sei o que é que há em ti que fecha

e abre;apenas alguma coisa em mim entende

a voz dos teus olhos mais profunda que todas as rosas)

ninguém,nem mesmo a chuva,tem tão finas mãos





Por e.e. cummings
Tradução de Jorge Fazenda Lourenço
Quadro de Van Gogh

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010



pode nem sempre ser assim; e eu digo

que se os teus lábios, que amei, tocarem

os de outro, e os teus dedos fortes e meigos cingirem

o seu coração, com o meu em tempos não muito distantes;

se na face de outro os teus suaves cabelos repousarem

nesse silêncio que eu sei, ou nessas

palavras sublimes e estremecidas que, dizendo demasiado

ficam desamparadamente diante do espírito vozeando;



se assim for , eu digo se assim for –

tu do meu coração, manda-me um recado;

que eu possa ir junto dele, e tomar as suas mãos,

dizendo, Aceita toda a felicidade de mim.

Então hei-de voltar a cara, e ouvir um pássaro

cantar terrivelmente longe nas terras perdidas.






Por e.e. cummings
Tradução de Jorge Fazenda Lourenço