Mostrar mensagens com a etiqueta Angélica Freitas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Angélica Freitas. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 25 de abril de 2012












mijo
(um poema urgente)





1.

uma mulher não deve mijar
deve fazer xixi

2.

uma mulher faz xixi
não mija
mas em banheiros públicos
a mulher acaba que mija

3.

uma mulher faz xixi
porque é mais sexy
mas quando é incontinente
a questão se torna irrelevante

4.

conheço uma mulher
que mijava
mas dizia por aí
que fazia xixi

5.

mijei no balde
foi libertador
mijei no balde
dentro do elevador
mijei com vontade
sim senhor
hoje
sou outra mulher

6.

xixi, mijo, urina: como queira chamar
se tiver nojo e a água acabar
se quiser viver vai ter que tomar
mijo. se quiser pode dizer
xixi ou guaraná

mas continua sendo mijo

7.

nisso tudo eu pensava
a caminho do banheiro
após ter lido uma frase
do marcelo rubens paiva
será que ele mija, o marcelo?
com certeza deve mijar
mirando as estrelas, será?
fazendo desenhos no ar?

(quem se importa?
eu não me importo)


8.

outra questão a se especular
quando acontece dormindo
é xixi ou mijo?
dependerá do fluxo?
da quantidade?
qual o critério?
outra coisa que direi
como aviso ou comentário:
mija-se desperto ou dormindo
peidar só se pode acordado





Por Angélica Freitas

domingo, 29 de janeiro de 2012















um poema de "o escaravelho do descalabro",
gentilmente cedido pela poetisa




os poetas não me lêem não quem me lê
são os passarinhos e as florzinhas nos campos
que me lêem sim e os peixinhos no riacho
ai sim e os peixinhos no riacho que contam
para os caramujos que boa poetisa eu sou
ai sim e os caramujos que entram
na tubulação e anunciam minha glória
na cloaca municipal
ai sim quem me lê são os bichinhos
são os paramécios são os e.coli
e os seus semelhantes




Por Angélica Freitas

quarta-feira, 5 de outubro de 2011







percalços da poetisa




a poetisa chega à alfândega e o funcionário da polícia federal logo desconfia. pede-lhe que abra as palavras. "isso pode demorar", pensa a poetisa. as palavras estão carregadas de significado até o máximo grau possível. o funcionário pergunta-lhe se ela sabe quanto significado pode trazer nas palavras. a poetisa diz que sim. o funcionário da polícia federal balança a cabeça e diz que infelizmente vai ter de registrar a infração.



Por Angélica Freitas

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010



BOA CONSTRICTOR





estava enrolada num galho

entre folhas nem se mexia

a danada

me viu era hora do almoço

e me disse na língua das cobras:



parada



virei o tronco ela já vinha

calculava minha espinha

cobreava

me poupe eu disse

e ela na língua das cobras

negava:



você sabe porque veio

honeypie

e sabe para onde vai




me envolveu com destreza

me apertou bem as pernas

me prendeu de jeito

até que meu peito

ficou maior

que a alma



um crec crac

de ossos quebrando

uma lágrima escorrendo:

parecia amor

a falta de ar

o sangue subindo para a cabeça



onde toda a história começa.





Por Angélica Freitas

sábado, 23 de janeiro de 2010

FAMÍLIA VENDE TUDO





família vende tudo

um avô com muito uso

um limoeiro

um cachorro cego de um olho

família vende tudo

por bem pouco dinheiro

um sofá de três lugares

três molduras circulares

família vende tudo

um pai engravatado

depois desempregado

e uma mãe cada vez mais gorda

do seu lado

família vende tudo

um número de telefone

tantas vezes cortado

um carrinho de supermercado

família vende tudo

uma empregada batista

uma prima surrealista

uma ascendência italiana & golpista

família vende tudo

trinta carcaças de peru (do natal)

e a fitinha que amarraram no pé do júnior

no hospital

família vende tudo

as crianças se formaram

o pai faliu

deve grana para o banco do brasil

vai ser uma grande desova

a casa era do avô

mas o avô tá com o pé na cova

família vende tudo

então já viu

no fim dá quinhentos contos

para cada um

o júnior vai reformar a piscina

o pai vai abrir um negócio escuso

e pagar a vila alpina

pro seu pai com muito uso

família vende tudo

preços abaixo do mercado





Por Angélica Freitas