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sábado, 6 de fevereiro de 2010



REVELAÇÂO





Hoje só fotografei árvores,

Dez, cem, mil.

Vou revelá-las à noite.

Quando a alma for câmara escura.

Depois vou classificá-las:

Segundo as folhas, os anéis dos troncos,

Segundo as suas sombras.

Ah, como as árvores

Entram facilmente umas nas outras!

Vejam, agora só me resta uma.

É esta que vou fotografar outra vez

E vou observar com assombro

Que se parece comigo.

Ontem só fotografei pedras.

E a pedra afinal

Parecia-se comigo.

Anteontem – cadeiras –

E a que resultou

Parecia-se comigo.



Todas as coisas se parecem terrivelmente

Comigo…



Tenho medo.





Por Marin Sorescu
Tradução colectiva revista por Egito Gonçalves
Imagem de AAT
XADREZ





Eu movo um dia branco,

Ele move um dia preto.

Eu avanço com um sonho,

Ele manda-o para a guerra.

Ele ataca os meus pulmões

Eu fico um ano no hospital a pensar,

Faço uma combinação brilhante

E ganho-lhe um dia preto.

Ele move uma desgraça

E ameaça-me com o cancro

(Que por agora avança em forma de cruz),

Mas ponho à sua frente um livro

E obrigo-o a recuar.

Ganho mais algumas peças,

Mas, reparem, metade da minha vida

Já está fora de jogo.

- Vou dar-te cheque e perdes o optimismo

Diz ele.

- Não faz mal, gracejo eu,

Faço roque dos sentimentos.



Atrás de mim a minha mulher, os meus filhos,

O sol, a lua e os outros mirones

Tremem por cada jogada minha.



Eu acendo um cigarro

E retomo a partida.





Por Marin Sorescu
Tradução colectiva revista por Egito Gonçalves