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sábado, 8 de outubro de 2011









As Prostitutas





Naquele tempo,
elas desciam à vila, as prostitutas –
a única saída,
exactíssima resposta para a nossa
angústia seminal acumulada.
Vinham de Vale da Porca, ou outra
terra assim pasmada.
Traziam na cabeça lenços garridos,
na carteira de mão a triste história:
a sedução primária, a miséria espessa,
mas jamais o vício mercenário.
Nas eiras recebiam as nossas águas,
de permeio plantados como reis.
Procuravam lisonjeiras acertar
seu êxtase fingido com o nosso.
Beijavam-nos, diziam: tão novinho!
Suportavam-nos insultos e arremessos.
Com a mão experiente (mas não habituada)
guiavam-nos na bela, impreterível,
urgente aprendizagem,
concediam-nos crédito e carinho –
as tão castas mulheres,
as prostitutas.




Por A.M. Pires Cabral

domingo, 25 de setembro de 2011
















RECADO AOS CORVOS







Levai tudo:

o brilho fácil das pratas,

o acre toque das sedas.




Deixai só a incombustível

memória das labaredas.








Por A. M. Pires Cabral