terça-feira, 21 de agosto de 2012











O ANJO




Perdeu-se de seu bando numa revoada vespertina. Então, perambulou ocioso por campos, revivendo carcaças, desviando enchentes dos vilarejos, curando a peste do gado e a febre da lavoura, até chegar à cidade. Entretanto, só as crianças ainda sem batismo o viam. E ele, em dialeto de bicho de pelúcia, lhes falava de coisas que ainda não tinham nome. Passou a habitar empoleirado no ombro de uma menina cega. Quando ninguém estava olhando, o anjo interrompia sua cegueira, e a menininha, disfarçadamente deslumbrada, podia ver até através das pessoas.






Por Wilson Nanini
Arte de Duy Huynh

2 comentários:

  1. Muito bom este poema do Wilson. Obrigado pelo comentário, Cris de Souza
    Abraços

    ResponderEliminar

fale à vontade