(Antes de vir, por dias me rondei. Era
medo. Do desencontro, talvez.)
Choveu, escutam-se as rodas nervosas
no asfalto molhado e, nos entremeios, um silêncio gordo que é uma espécie de
zumbido que se desenha em espirais.
Pergunto-me quem são e se acaso já
olharam a noite de frente. Eu não. Espreito-a e temo e cobiço. E é a ela que
vendo a minha intimidade.
E pressinto-a. A tristeza em mim não é
sentida, é pressentida, entendes isso?
A noite. Tal como a música, entra-se
em mim e entranha-se e quando o dia romper no alvoroço de uma luz muito branca,
talvez persista ainda o desajuste.
O sono é o remedeio. Mas às vezes, até
aí a lucidez se vence. E então abro os olhos e há um corpo deitado a meu lado.
E então os olhos ardentes fixam as órbitas vazias de um olhar assombrado. É o
medo.
Por Elisabete Albuquerque
Mais poesia sua em http://a-didascalia.blogspot.com/












