Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012









PREFÁCIO

(Com uma apropriação de Fabio Pusterla)




Esse homem que todos os dias chega
sendo chegar o verbo encostando-se a um limite

cuja voz se confunde com o clamor do ocaso
e que mostra as mãos encardidas pelo entardecer

que conta as sílabas de cada palavra porque
é nelas que arde o lume das canções da tarde

que tira o chapéu cheio de pássaros esvoaçantes
e diz serem os pássaros perdidos no volteio da luz

esse homem que vem para falar do entardecer
e não deixa as palavras sair da tarde amadurecida

esse homem que o próprio nome esqueceu
e se confunde com as sílabas lentas dos céus

não o ouças.   





Por António Amaral Tavares
Fotografia de José Magalhães

2 comentários:

  1. Boa noite, António!

    Gostei da nova "cara" do blog e também deste poema. Todas as antíteses revelam beleza...

    Um Ano novo cheio de poesia! Beijos

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  2. Viva Tânia, já sentia a falta dos seus comentários.
    Espero que tudo corra bem com o seu trabalho. Desejo-lhe também,porque não, um bom ano cheio de poesia para si, cheio de coisas que um dia valerão a pena recordar.

    António

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